terça-feira, 16 de abril de 2013

Rotina

Sentou e esperou a chegada da inspiração. Então, olhou para o céu da janela à sua frente e o vento balançou a ponta esquerda da persiana quebrada. Aí, percebeu que já era poesia. Quis criar, quis amar e, principalmente, esquecer o nervosismo que causava mal-estar. Olhava a Bíblia; a capa roída pelo rato-uso. Queria que aquele de quem falava o livro se apressasse. Quis que voltasse o ano passado, o do ensino médio, mas temia. Num lapso, lampejo de pensamento, fez um traço no joelho. A caneta vermelha não mentiu o ócio doloroso. Ela - a primeira que achou - se encontrava sem tampa como sua dona. Esfregou com o dedo o traço, apagando-o. Quis que o tempo voasse e, de súbito, quis que ele lhe trouxesse as lembranças e as encantasse em realidade. Resolveu parar de narrar a própria história.