segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Meio-dia

Meus dedos estão virando mães estéreis de poesia. Já não me encanta surpreender. Eu escrevo menos, mas olho para cima mais. Para cima mesmo, digo, o céu e a composição ao redor. Sorriso bobo e já transformo meu dia. O apoio para a cabeça do ônibus me acomoda. A mochila me aquece. O vento me sublima. E eu já não estou mais ali. O fim da linha é a integração. E o recomeço é o próximo ônibus que não vai ser o mesmo. Mas nem eu.

Munique

Ele nem se deu o trabalho de fingir que era um bom rapaz. Só um elogio e umas risadas já te fizeram pensar nele mais do que em si. E nem é bonito. O que ele é é esperto! Quase não dá para notar, mas está ali. Bem ali! Repare bem no discurso pouco pretensioso, muitas palavras, muitas piadas, depreciação de si mesmo sem pena de si mesmo, sorriso estampado e um último ingrediente: o elogio. Pronto! Aí está! E tu sais com um sorriso no rosto como quem encontrou o príncipe da tua vida, mas sabes que ele não é o ideal. Mesmo assim, pensas nele. Ele descobriu! Descobriu tudo! Mas está só, mesmo rodeado de pessoas, porque não deixa que se aproximem e que o mudem.