quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Segredos dos olhos

Dias quentes e suas peripécias

Era um dia quente na parada de ônibus. Todos calados, como de costume. De repente, essa moça aparece e pergunta, alvoroçada, a que horas passa o ônibus. Mas não a mim. Não, não a mim, mas a uma outra moça. Num impulso impetuoso, já nem sinto o sol nesse canto exposto e me incluo na conversa. Ofereço-me para levá-la. Que bom é te observar, querida, enquanto andas impaciente. Teus compromissos te fazem dançar ao celular. Tua falta de serenidade e, ao mesmo tempo, teu sorriso angustiado me põem em determinação curiosa. Nossa carruagem logo chega e vais na frente, entras primeiro. Passando da catraca, procuro-te até que te vejo sentada a devorar tua garrafa vermelha febril. "Só uma piscadinha!", penso, logo faço. E me sento. Nas carreiras de tua impaciência, corres para sair e nem percebes que aquilo que eu queria era pôr teus lindos olhos nos meus novamente.