sábado, 21 de fevereiro de 2015

Imaginação é a melhor casa

A filha olha pra cima. Os fios de telefone estragam a foto das nuvens, mas a compõem. E já nem lembra o que aconteceu naquele dia. Só restou a foto. E ainda bem que restou a foto, porque o que se há de admirar desse dia, senão a recordação? O presente? Ah, não estrague o momento! O presente é estranho, não resolvido, incerto e inesperado como dizer algo a um estranho. A foto é idealista. Pode imaginar que, nesse dia, o céu sorriu porque não havia nada que o entristecesse, como se as lembranças estivessem escritas e que tivesse que ler para que existissem.